segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Goiânia: A nova Goiânia verticalizada e o impacto na mobilidade urbana


Basta uma breve passagem por bairros de Goiânia para observar a transformação no cenário urbano. A imagem se transforma pela quantidade de prédios que foram construídos e que ainda estão em obras pela cidade. Trata-se do processo de verticalização que, nos últimos dois anos, está em aceleração. Para se ter ideia disso, desde 2010 até hoje, foram aprovados 153 projetos de construção de moradias com mais de cinco pavimentos, segundo informações da Secretaria de Planejamento de Goiânia (Seplan).

Se por um lado essa verticalização traz benefícios, já que representa um número maior de moradias em um espaço menor. De outro, começam a surgir problemas estruturais onde as construções de prédios estão mais concentradas. No Jardim Goiás, por exemplo, onde surgem obras de forma acelerada (são 14 projetos aprovados nos últimos dois anos) começaram a aparecer transtornos relacionados ao trânsito. No bairro, segundo a Agência Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (AMT), a solução é aplicar medidas restritivas e proibir a população de estacionar em um dos lados das vias.

Senivaldo Silva Ramos, presidente da AMT, esclarece que, no Jardim Goiás, está em fase de estudo e já foram realizadas três audiências com os moradores, porém não se entrou em acordado para proibição de estacionar em um dos lados das ruas. “Toda região onde se tem aumento do adensamento, há impacto no trânsito, isso é normal. Porém, é necessário se buscar alternativas”.

No Setor Negrão de Lima, lembra ele, onde também há um boom de construções verticais, será necessário entrar com medidas restritivas. Uma das soluções é transformar as ruas de mão dupla em mão única, mas, mais uma vez, a população da região não aceitou as soluções. “Ficou a cargo dos moradores acatarem ou não. Caso isso não seja possível, vamos ter de achar outra alternativa”, diz o presidente da AMT.

Não só bairros mais novos apresentam a característica de verticalização. Nos mais antigos, como o Setor Bueno, Oeste e Marista, a aceleração também permanece. Juntos eles representam 32% das aprovações de projetos nos últimos dois anos – são 49 novas construções. O diretor do departamento de gestão do plano diretor de Goiânia, Ramos de Albuquerque, observa que isso mostra que a verticalização em Goiânia é pulverizada.

Albuquerque salienta que a concentração de alguns imóveis se dá, principalmente, nas proximidades de projetos paisagísticos. Onde se constroem parques, por exemplo, a valorização e a verticalização ocorrem de forma mais rápida. “A paisagem hoje e fundamental para se vender”, acredita. Mas há locais onde não se permite um adensamento maior do que já existe.

Eixos

O diretor explica que não se pode simplesmente proibir novas construções. Isso porque existem áreas que constam no mapa de adensamento do plano diretor e, portanto, são destinadas à construções. Mas ele reconhece que o processo de construções na cidade está acelerado e diz que, em um futuro próximo, será necessário que o processo de áreas adensadas seja feito ao longo dos eixos de transporte coletivo, como prevê o próprio plano diretor. Ele salienta que isso está planejado justamente porque as ruas não crescem na mesma proporção que a quantidade de carros.

Fonte: O Hoje