quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Goiânia: Horário das linhas semiurbanas irritam passageiros


Reportagem de Rafael Martins

É dura realidade dos passageiros de cidades vizinhas que dependem do transporte semiurbano da capital. Os usuários reclamam dos longos intervalos entre uma viagem e outra e da superlotação dos veículos.

Quem mora em Goianápolis, reclama dos horários dos ônibus que partem do Terminal Novo Mundo. “Esses horários são péssimos. Como é possível ter só um ônibus 12:00. Será que eles acham que todo mundo que vai pra Goianápolis embarca nesse horário? Fora que os ônibus de manhã vão superlotados.”, diz o operador de máquinas Daniel França. “ Os horários vão de um extremo ao outro. Só tem cedo e a tarde. A gente quer mais horários e mais ônibus porque sai tudo lotado daqui do Terminal”, conta a atendente Lourdes Américo.

A linha 771, que segue para Goianápolis, passa em outra cidade: Terezópolis. Quem mora no município tem mais chances de chegar a Goiânia, pois além dessa linha metropolitana, eles ainda contam com o serviço da Viação Araguarina, que faz o trecho Goiânia-Anápolis passando pela cidade. “Quem quer ir cedo para Goiânia, usa mais o serviço da Araguarina. Os ônibus que vem do Novo Mundo são cheios e muitas vezes nem param”, comenta a dona de casa Rosely Rebouças. “Nunca consegui pegar esse ônibus que vai para o Novo Mundo. Ele vem muito lotado de Goianápolis e nem compensa, pois os coletivos que vem de Anápolis param aonde a gente quer, como perto do Terminal da Bíblia e o Centro”, afirma o vendedor Raoni Alves.

Quando os passageiros não conseguem embarcar nos ônibus da linha 771, eles são obrigados a mudar a rota. “Quando vejo que já perdi ou passou da hora, pego um que vai para Anápolis, desço no trevo de Goianápolis, daí espero um que vem de Anápolis para cá [Goianápolis]. Nisso eu gasto quase uns R$ 8,00”, reclama o feirante Onízio Jaime, que trabalha no Mercado Central. “Muitas vezes desço na Rodoviária e pego o ônibus para Anápolis, mas mesmo assim acho que deveria ter mais horários, nem que fosse de hora em hora. Passageiro não é operário de indústria que vai cedo e volta a tarde, passageiro usa o transporte a qualquer hora, e depois vem com o discurso de usar o ônibus, de diminuir carros nas avenidas da capital. Se não tem ônibus é lógico que vou comprar carro”, questiona o passageiro Rodrigo Farias.

O problema não se resume somente aos usuários de Goianápolis. Quem mora em Nova Veneza, também reclama dos longos intervalos. “Já cheguei a esperar por mais de três horas aqui no Dergo sem o menor conforto. E quando o ônibus chega sai lotado. É um absurdo”, diz a usuária Mônica Valente. “O ruim é que demora demais, além disso se quiser ir no banheiro ou comer alguma coisa tem que sair e pagar o complemento de novo. Então além do ônibus demorar, você passa apertado e fica com fome. Tem mais de 2 horas que estou esperando e nada”, conta a dona de casa Cida dos Reis.

No Terminal Padre Pelágio, são os moradores do Residencial Triunfo que sofrem com a demora. Os coletivos só circulam nos horários de pico. “Só desce lotado para o Padre Pelágio. O povo tem medo de perder o ônibus e não vim outro. Será que custa eles colocarem mais horários aqui para a gente?”, diz Magda de Souza. “O pior de não ter ônibus ao longo do dia é não ter domingo. Se quiser ir para o Centro o outro lugar é preciso ir para a GO-070 e pegar o que desce de Goianira. Isso também vale para a semana, pego o Goianira todo dia e ando bastante até chegar em casa, pois o Triunfo só roda cedo e no fim da tarde”, desabafa a cabeleireira Silvana Beatriz.