segunda-feira, 19 de julho de 2010

Especial 2010 - o ano caos do transporte coletivo: Crise no transporte coletivo da Grande Goiânia começou em fevereiro

Mudanças em 27 linhas sem prévio aviso pegam passageiros de surpresa


Os problemas enfrentados pelos usuários do transporte coletivo de Goiânia tiveram início no dia 18 de fevereiro, data em que a CMTC, sem nenhum aviso prévio de massa, alterou 27 linhas de ônibus. A medida pegou de surpresa cerca de 65 mil passageiros.

A companhia alegou que as mudanças foram feitas em linhas que operavam o mesmo itinerário há mais de 30 anos, e que era necessário fazer um redimensionamento. Para a realização das mudanças, foi contratada uma empresa de São Paulo, em novembro de 2008, que fez uma pesquisa para levantar quais linhas teriam que ser mudadas. Para este serviço foram gastos mais de R$ 1 milhão, e os trabalhos de campo foram concluídos em setembro do ano passado.

Questionado sobre os motivos da ausência de avisos antecipados sobre as mudanças, Massad respondeu que foram distribuídos panfletos explicativos, além de cartazes fixados nos terminais. Porém a medida não evitou o caos nos terminais. Até mesmo os motoristas e fiscais de terminais se perderam na hora de orientar os usuários do transporte coletivo.

O promotor de Justiça Murilo de Morais e Miranda, da área de defesa do consumidor do Ministério Público de Goiás (MPGO), recomendou para as próximas alterações ampla divulgação na mídia, nos terminais e em pontos de ônibus. O MP também exigiu uma ampla reforma de expansão do Terminal da Praça da Bíblia.


Mudanças desagradam usuários e gera manifestações


A primeira manifestação foi no dia 23 de fevereiro. Insatisfeitos com a demora de mais de uma hora para a chegada dos ônibus que transportariam dezenas de pessoas para Senador Canedo e bairros da região, uma multidão de passageiros paralisou completamente a movimentação no Terminal da Praça da Bíblia. Dezenas de ônibus não puderam entrar no terminal, convulsionando as ruas próximas.

Do lado de dentro, trabalhadores e estudantes, a maioria desejando voltar para casa, mesmo fora da rota de Senador Canedo, apoiavam o grupo que entrou na frente dos veículos em protesto. Segundo os manifestantes, desde que houve alteração no itinerário das 27 linhas, os atrasos se agravaram muito e alguns esperaram quase uma hora e meia.

A Polícia Militar (PM) foi chamada e estimou em cerca de mil pessoas no momento da confusão, que começou por volta das 18 horas, horário de pico no terminal que pertence à Metrobus e atende várias linhas, além do Eixo Anhanguera.

No dia 17 de março, o mesmo terminal foi tomado por um grande protesto feito pelos usuários insatisfeitos com a bagunça e inoperância do transporte coletivo, resultado das desastrosas alterações. A manifestação foi motivada pelos problemas nas linhas alimentadoras. O terminal da Praça da Bíblia ficou bloqueado pelos manifestantes das 8 às 11 horas. Eles soltaram fogos, fizeram batucadas nos ônibus e jogaram pedras nas janelas dos coletivos. O protesto se espalhou pelas ruas e vias próximas ao terminal.

Cerca de 600 pessoas ajudaram a fechar as saídas. Uma imensa fila de coletivos que percorrem o Eixo se formou até o quarteirão anterior à Esefego, no Setor Universitário. Vinte soldados da Polícia Militar acompanharam a manifestação de longe, além de proteger os ônibus e os representantes da Metrobus escalados para negociar com os usuários do sistema de transporte. O movimento foi puxado principalmente pelos usuários da linha 019, que liga o Terminal Praça da Bíblia ao Terminal Cruzeiro. O manifesto começou às 8h05, por meio de uma jovem, que recebeu um telefonema do diretor da empresa em que trabalhava, no qual a informava que perderia o emprego caso não chegasse na hora certa ao trabalho. A moça, então, teve um ataque de fúria, bloqueou a passagem de um ônibus e começou o protesto junto com dezenas de usuários. Após o episódio, a CMTC teve que, em caráter emergencial, fazer pequenas alterações na linha 019, 020 e 021, que ligam o Terminal Praça da Bíblia ao Terminal Garavelo e ao shopping Flamboyant.

No dia 24, uma semana depois, uma outra manifestação comandada por estudantes mais uma vez parou completamente o Terminal Praça da Bíblia. Na manhã seguinte Acadêmicos da Universidade Federal de Goiás (UFG) e moradores de bairros próximos ao Campus Samambaia, na Região Norte de Goiânia, voltaram a protestar ontem contra as mudanças implantadas nas linhas de ônibus pela Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC). Esta foi a quarta manifestação . Quase 20 ônibus foram interceptados durante o protesto, que começou no Setor Itatiaia e avançou até o Jardim Pompéia. A Polícia Militar acompanhou de longe. A CMTC não enviou representantes para o local. Entre as reivindicações apresentadas pelos manifestantes estão os retornos das linhas Itatiaia-Praça da Biblia e 174, com ponto final no Terminal Padre Pelágio, além de mudança da linha 270 com passagem no São Judas e Jardim Pompéia. Estudantes e moradores da região pedem ainda uma planilha com os horários dos ônibus em cada ponto, conforme prevê os contratos de concessão.

No dia 17 de abril, foi a vez do Terminal Praça A ser palco de manifestação. Revoltados com a demora e superlotação dos ônibus, cerca de 250 usuários fecharam o Terminal das 8h50 às 9h50 e exigiram a presença do presidente da Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC), Marcos Massad. Em menos meia hora, Massad compareceu ao terminal, onde ouviu queixas e reivindicações dos usuários.


Após manifestações, CEI do Transporte é instalada. Membros da CEI encontram terminais sem estrutura


Foi aprovada no dia 23 de março, na Câmara Municipal de Goiânia, uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para investigar as mudanças do transporte coletivo em Goiânia. A proposta foi feita pelo vereador Alfredo Bambu (PR), e reuniu 13 assinaturas. A partir do dia de sua instalação, ela terá 60 dias, prorrogáveis por igual período, para apurar questões referentes às denúncias de fraude no processo licitatório para concessão do serviço de transporte coletivo envolvendo a Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC) e o Sindicato de Empresas de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros (Setransp). Ela investigará ainda as reformas de terminais, alterações de itinerários e a falta de ônibus para atender toda a demanda de usuários.

O que impulsionou a criação da Comissão foi a denúncia de fraudes no processo de licitação do transporte, em 2008, feita pelo escritório Sociatus Advogados e Consultores, liderado pelo advogado Julio Cesar Queiroz e Rabelo, antigo prestador de serviços ao Setransp.

Vereadores da CEI andam de ônibus, vêem o problema de perto

Três dos sete membros da Comissão Especial de Inquérito do Transporte Coletivo (Maurício Beraldo, Santana Gomes e Paulo Borges, do PMDB, e Richard Nixon, do PRTB) andaram de ônibus ontem no trecho entre o Vale dos Sonhos e a Praça da Bíblia. Segundo Beraldo, foram mais de duas horas para percorrer um trecho que exige, no máximo, 40 minutos. Na segunda viagem eles encontraram terminais sem estrutura, superlotação e falta de acessibilidade. Membros da Comissão Especial de Inquérito do Transporte viajaram na linha 020, na linha que faz o trajeto do Terminal Garavelo à Praça da Bíblia. Alfredo Bambu, autor do requerimento que criou a CEI, falou que nesta linha também constataram que há superlotação dos ônibus causada pela falta de veículos. Outro problema que os vereadores destacaram foi com relação ao Terminal Garavelo.


A gota d'água da crise do sistema: O dia que Goiânia parou


O dia 26 de abril foi de caos no sistema de transporte coletivo da Região Metropolitana de Goiânia. Mais de 400 mil passageiros (metade dos usuários de ônibus) foram prejudicados por uma paralisação de motoristas a partir do início da manhã de ontem. Os usuários foram pegos de surpresa porque o movimento não foi anunciado anteriormente. À tarde, o Ministério Público do Trabalho entrou com ação na Justiça do Trabalho por causa da ilegalidade da greve.

No Eixo Anhanguera, os serviços foram retomados por volta de meio dia, mas continuaram irregulares em várias outras linhas. Só por volta das 15 horas, uma negociação entre o Sindcoletivo e os motoristas levou à retomada parcial dos serviços. Mas a confusão persistia à noite em alguns terminais, como no Garavelo, onde os ônibus permaneciam parados obrigando as pessoas a voltar para casa a pé . Nem a Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC) nem o Sindicato das Empresas de Transporte Coletivo de Goiânia (Setransp) reconhecem o Sindcoletivo como entidade representativa dos motoristas e se recusam a negociar com ele. Houve tumulto e quebra-quebra de ônibus em alguns terminais. Sem aviso prévio, as pessoas saíram de suas casas para pegar o ônibus, muitas delas ainda de madrugada. Pretendiam ir para mais um dia de trabalho.

Ninguém sabe explicar ao certo como o movimento nasceu. Mas o Sindicato Intermunicipal dos Trabalhadores do Transporte Coletivo de Goiânia e Região Metropolitana (Sindcoletivo), dissidente do sindicato oficial, assumiu que estava à frente da paralisação. Não foi bem isso que os motoristas falavam nos terminais e garagens. “A gente fez isso porque não se sente representado”, disse um motorista de braços cruzados na porta de uma das garagens da HP Transportes.

As garagens sul, da HP, central e sul, da Rápido Araguaia, e da Metrobus foram fechadas logo no início da manhã pelos motoristas. Os ônibus foram impedidos de circular. Pneus foram esvaziados. Os primeiros impactos foram sentidos nos terminais do Eixo Anhanguera e na Região Sul da rede metropolitana. As pessoas que conseguiam chegar nos terminais não tinham como sair ou nem chegavam a ser pegos nos pontos.

Por volta das 8 horas houve confusão no Terminal Veiga Jardim, em Aparecida de Goiânia. Os poucos ônibus que conseguiram chegar foram apedrejados por pessoas revoltadas. A Polícia Militar (PM), acionada logo que o movimento foi iniciado, teve problemas para conter o tumulto. A revolta se transferiu para as instalações do terminal. Vidros foram quebrados e estrutura amassada.

Ônibus que insistiram em circular foram atacados a pedradas na rua. Um veículo da linha Expresso Independência Mansões foi apedrejado próximo ao Veiga Jardim. Conforme o dia ia avançando e as pessoas ficavam amontoadas nos pontos, nos terminais, a informação do movimento ia ganhando força e a adesão aumentava. Os terminais iam sendo paralisados um a um. Por volta das 9h30, um grupo de motoristas esvaziou os pneus de ônibus no Terminal Bandeiras e eles foram impedidos de circular. Os passageiros que estavam na plataforma ficaram sem ter como seguir para casa.


Atenção: As informações expressas nesta postagem são um conjunto de informações / notícias dos jornais O Popular, Diário da Manhã e O Hoje e do portal Goiasnet. Quaisquer dúvidas, consultem as postagens no marcador
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