quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Goiânia: Passageiros param Terminal Praça da Bíblia


Insatisfeita com a demora de mais de uma hora para a chegada dos ônibus que transportariam dezenas de pessoas para Senador Canedo e bairros da região, uma multidão de passageiros paralisou completamente a movimentação no Terminal da Praça da Bíblia na noite de ontem. Dezenas de ônibus não puderam entrar no terminal, convulsionando as ruas próximas.

Do lado de dentro, trabalhadores e estudantes, a maioria desejando voltar para casa, mesmo fora da rota de Senador Canedo, apoiavam o grupo que entrou na frente dos veículos em protesto. Segundo os manifestantes, desde que houve alteração no itinerário das 27 linhas, quinta-feira da semana passada, os atrasos se agravaram muito e ontem alguns esperaram quase uma hora e meia.

A Polícia Militar (PM) foi chamada e estimou em cerca de mil pessoas no momento da confusão, que começou por volta das 18 horas, horário de pico no terminal que pertence à Metrobus e atende várias linhas, além do Eixo Anhanguera.

“Esperei duas horas ontem e hoje essa humilhação se repete?”, dizia indignado León Batista, 39 anos, sentado em um dos bancos do veículo enviado às pressas para acalmar os manifestantes. Dentro do ônibus, meio acuado, o motorista, Ivan Lobo, tentava explicar o que parecia inexplicável: “Não temos um horário certo”, dizia, sem saber também em qual intervalo de tempo os veículos da linha trafegam rumo ao município.

Não adiantou a chegada do primeiro ônibus da linha 283, a que atende Senador Canedo. “Um não dá para levar todos, vamos continuar bloqueando a passagem até uma solução”, dizia a universitária Eliane Rodrigues da Silva, 40 anos, que dizia ter esperado uma hora e 25 minutos. Houve gritaria, aplausos a cada entrevista de algum dos manifestantes, e vaias dirigidas aos motoristas, mas nenhum veículo foi danificado nem a PM precisou prender ninguém.

Os ônibus extras chegaram após uma solicitação feita pelo primeiro-tenente da PM, Adelino Alves, encarregado de intermediar a situação, junto à Companhia Metropolitana de Transporte Coletivo (CMTC). “Havia um grande número de pessoas aguardando por muito tempo, por isto o clima ficou tenso, mas foi uma manifestação pacífica”, destacou o policial.

Dentro do terminal, além da PM, apenas o assessor parlamentar da Metrobus, Daniel Ramiro, negociava com os manifestantes, mas sem poder fazer muito. “Somos os responsáveis pelo terminal e pelo Eixo Anhanguera, mas a linha para Senador é da CMTC”, argumentava.

Ninguém da Companhia foi localizado no Terminal da Praça da Bíblia. O presidente da CMTC, Marcos Massad, também não retornou ao recado deixado por volta das 21 horas no celular dele. Usuários de outras linhas, como Jamil Soares de Oliveira, que mora em Goiânia e trabalha em Nerópolis também reclamavam. “Depois da mudança nas linhas estamos todos penando, esperando horas e mais horas pelo ônibus”, dizia, apoiando a manifestação.


Fonte: O Popular (http://www.opopular.com.br/)