quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Entorno DF: Problemas em Valparaíso são relacionados ao transporte e à ocupação desordenada


Em 2010, Valparaíso, em Goiás, completa 15 anos sem muito o que comemorar. O município, localizado a cerca de 30 quilômetros de Brasília, tem mais de 120 mil habitantes e acumula problemas nas áreas de Segurança, Saúde, Infraestrutura e Educação.

A expansão urbana desordenada deixa marcas no município. Milhares de famílias que, ao longo dos últimos anos, se aglutinaram em uma área imprópria para habitação estão sendo removidas do local. Em contrapartida, os danos ambientais ocasionados por essa ocupação não sairão de cena.

O risco ecológico é significativo. O desmatamento necessário à construção dos barracos ao longo das ribanceiras corroboram para o deslizamento de terra. A ocupação irregular atingiu o córrego que corta a invasão e o transformou em um verdadeiro esgoto a céu aberto.

O morador da Vila Carneiro, como a área é conhecida, Rodrigo Lopes da Silva, 28 anos, não esconde a satisfação de sair da invasão onde mora com a família. Segundo ele, além dos problemas notórios, como a carência de saneamento básico, água encanada e asfalto, as bocas de fumo tornam o lugar perigoso.

Os problemas estruturais persistem nos bairros vizinhos. No Setor de Chácaras Anhanguera os moradores se queixam da falta de acesso aos serviços básicos e da poeira que predomina na região, que não conta com cobertura asfáltica.

O vigia José Almir da Costa, 51 anos, conta que crianças brincam nos terrenos cobertos por lixo. "Os meus filhos vivem doentes. Hoje mesmo o mais velho não foi à escola, está com febre alta ", relata Silvana Ferreira da Silva, moradora do bairro Jardim Ipanema. O início das chuvas preocupa a moradora. "A situação piora. Vira tudo lama", avisa.

Falta ônibus

Entretanto, o obstáculo que mais incomoda e diariamente precisa ser vencido é o deficiente transporte. A população não conta com um terminal rodoviário e depende de ônibus procedentes de outras cidades. No horário de pico, as paradas às margens da BR-040 ficam cheias, só não mais do que os coletivos, que passam lotados.

Em meio à confusão, a pirataria faz a festa. Cobrando o mesmo valor da passagem convencional, carros pequenos saem a todo minuto transportando passageiros para regiões vizinhas, como Jardim Ingá, Cidade Ocidental e Luziânia.

A viagem de Valparaíso à Rodoviária do Plano Piloto custa R$ 2,95. Uma única empresa, a Viação Anapolina, faz o itinerário. Aqueles que precisam se deslocar a outras localidades mais próximas desembolsam um pouco mais. Como a doméstica Luciana Nascimento, 24 anos, que mora em Luziânia, mas trabalha na Etapa A, de Valparaíso I. A distância entre os dois municípios é de 20 quilômetros. O percurso diário de ida e volta sai por R$ 6. "Às vezes, para voltar para casa tento pegar a condução que vem do Gama (DF), porque a passagem é mais barata, R$ 1,90. Só que direto quebra e não passa".

É preciso tolerância e coragem para embarcar. "Fico mais tempo na parada para pegar um ônibus que não venha tão lotado". Luciana afirmou ser contra o transporte ilegal, no entanto, após meia hora de espera pelo transporte público coletivo, ela se rendeu à condução pirata. A doméstica, que recebe um salário mínimo por mês, afirma que que seria complicado custear o transporte com o próprio rendimento. "A minha patroa dá a passagem. São R$ 170 por mês", conta.

Fonte: Portal ClicaBrasília (http://www.clicabrasilia.com.br/portal/noticia_new.php?IdNoticia=124233)