segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Goiânia: Trânsito estrangulado em 50 pontos

Transporte coletivo anda a velocidade de 16 km/h, a mesma média verificada em São Paulo

De cada três pessoas que vivem em Goiânia, duas têm carro. A cada hora, sete automóveis são incorporados ao espaço viário. Essa relação absurda de quantidade de veículos por habitante já provoca efeitos desastrosos ao trânsito da capital. Já são cerca de 50 pontos de estrangulamento, que levam à lentidão do tráfego. Para se ter uma idéia, o transporte coletivo anda a uma velocidade média de 16 quilômetros por hora (km/h), a mesma de São Paulo (SP).


Muitos dos efeitos da associação entre a explosão da frota, de um lado, e a carência de investimentos no setor, de outro, já são sentidos - em alguns casos, calculados - com o aumento dos pontos de estrangulamento e lentidão nos picos da manhã e da tarde. Uma condição que gera impacto direto na fluidez do trânsito, especialmente do transporte coletivo.

O POPULAR teve acesso a uma pesquisa concluída este ano cujo objetivo foi medir o desempenho da circulação dos ônibus nos principais corredores viários de Goiânia. Após percorrerem cerca de 100 quilômetros de vias, os pesquisadores chegaram a resultados que, por si só, justificam a péssima avaliação que o usuário faz do transporte coletivo urbano na região metropolitana da capital.

Na maioria dos eixos analisados, a velocidade média dos ônibus não ultrapassou 16 km/h, semelhante a dos veículos do transporte público da cidade de São Paulo, que tem, reconhecidamente, o mais caótico trânsito do Brasil. “O resultado nos deixou assustados. A situação está muito ruim para o carro e pior ainda para o ônibus”, atesta o engenheiro de trânsito paulista e consultor Arlindo Fernandes, responsável pelo estudo.

Estrangulamento

A Agência Municipal de Trânsito, Transporte e Mobilidade (AMT) aponta para a existência de aproximadamente 50 pontos de estrangulamento em Goiânia. Em muitos deles, o trânsito mantêm-se lento por mais de uma hora nos picos da manhã e da noite. É o caso, por exemplo, do trevo de acesso às GOs 060 e 070, que ligam a Trindade e Inhumas, onde também deságua o tráfego de avenidas de trânsito pesado, como Castelo Branco e Anhanguera.

Diante da situação atual, especialistas ouvidos pelo POPULAR calculam que seja necessária a adoção de medidas mais drásticas num curto espaço de tempo. “Em cinco anos, se não pensarmos em instituir áreas de restrição de tráfego, implantar rodízios e disciplinar estacionamentos, por exemplo, vai travar tudo”, estima Antenor Pinheiro, presidente do Conselho Estadual de Trânsito e ex-superintendente municipal de Trânsito de Goiânia.

Para Antenor, aliada a medidas como estas, é necessário impor uma política que tenha o transporte público como prioridade e que regulamente e controle do uso e da ocupação do solo. “Hoje, grandes empreendimentos são autorizados a construir se tiverem estacionamento. O problema não é só guardar o carro, mas chegar ao destino”, observa.

Cultura do carro

A engenheira de Trânsito e professora do Instituto Federal de Goiás (IFT), Patrícia Margon, critica a política do governo, que baixa o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para automóveis. “Quando vamos comprar uma casa, falta-nos pedir exame médico. Não há nada mais fácil que comprar carro”, cita.

Patrícia ressalta que todas as melhorias viárias em Goiânia priorizaram o transporte individual. Segundo ela, a conurbação contribui para comprometer a fluidez no trânsito. “Estamos pertos de um limite.” A engenheira chama a atenção para a deteriorização do espaço urbano, na medida em que os gargalos empurram os veículos para vias alternativas, de trânsito local.

Fonte: O Popular Online (http://www.opopular.com.br/anteriores/20set2009/cidades/)