quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Goiânia: Presidente da CMTC é acusado de corrupção

Foto: Prefeitura de Goiânia
O presidente da Companhia Metropolitana de Transportes Coletivos (CMTC), Marcos Massad, foi indiciado por corrupção passiva e por não exigir processo licitatório no contrato de uma sala no Terminal das Bandeiras, em Goiânia. A denúncia foi feita pela permissionária que adquiriu o estabelecimento por mais de R$ 30 mil. No mesmo processo, foram indiciados por corrupção passiva o casal Margareth Tocunduva e Carlos Colombo, ex-sócio de Massad em uma empresa de construção civil. A investigação, feita pela Polícia Civil, durou cinco meses e o processo foi remetido ontem ao Poder Judiciário.

A delegada responsável pelo inquérito, Maria Lúcia de Paula Freitas, da Delegacia Estadual de Repressão a Crimes contra a Administração Pública (Dercap), informa que a irregularidade foi comprovada por meio de depoimentos, extratos na conta de Massad, comprovantes de depósito e cheques que estavam de posse de Maria das Dores, permissionária que adquiriu o espaço naquele terminal. No total, são oito cheques anexados ao processo e que totalizam pouco mais de R$ 30 mil. No verso dos cheques, foi encontrado o número da conta bancária de Massad e um deles estava endossado com o nome do representante da companhia.

Em depoimento prestado à delegada, Massad não negou que endossou o cheque, mas não soube explicar porque os valores foram depositados em sua conta. Do valor total, foram encontrados, por meio de comprovante de depósito e extrato bancário, R$ 10,272 mil na conta do presidente da CMTC. Os cheques foram entregues à polícia pela permissionária, que resgatou as folhas após efetuar os pagamentos dos valores a Margareth.

Maria Lúcia explica que a permissão para manter a loja naquele terminal teria sido passada por Massad para Margareth. Ela teria aberto uma pamonharia naquele local, que ficou aberta por cerca de três meses. A mulher teria sido uma espécie de intermediária para vender a loja a Maria das Dores. Segundo a delegada, a permissionária fez a denúncia, pois se sentiu lesada após saber que todos os permissionários teriam de sair do local.

Durante a investigação, foram ouvidas mais de 30 pessoas, entre os envolvidos e permissionários do terminal. A intenção era descobrir se a mesma situação ocorreu com donos de outros estabelecimentos, fato que não foi comprovado. Um dos permissionários ouvidos disse que a pamonhoria pertencia a Massad.

A reportagem tentou falar com o presidente da CMTC, mas ele não atendeu às ligações. A assessoria de imprensa da Prefeitura informou que o advogado de Massad vai se pronunciar hoje, mas ainda não marcou horário e nem local para os esclarecimentos. A pena para o crime de corrupção passiva vai até 12 anos de detenção e para o crime contra a lei de licitação, de três a cinco anos de reclusão.

Texto de Wanessa Rodrigues

Fonte: Versão online do Jornal Hoje (http://www.hojenoticia.com.br/editoria_materia.php?id=26500)